REDE 3G, ESSA “DESCONHECIDA”
por Emerson Rezende – editor-assistente da Revista CONNECT
A chamada rede de telefonia móvel de terceira geração, mais conhecida como rede 3G, mal chegou ao Brasil e já tem dado o que falar. Afinal, a possibilidade de se carregar no bolso um dispositivo que permita acesso a uma conexão de banda larga por meio da rede celular – ou seja, em qualquer momento ou lugar – é um anseio dos usuários já há algum tempo.
Velha conhecida dos usuários europeus, norte-americanos e asiáticos, a rede 3G é uma evolução da atual geração de rede de telefonia móvel, genericamente chamada de 2,5G. A principal diferença que as separa é a quantidade de dados que podem ser transmitidos ou recebidos por meio de telefones celulares ou modems especiais. Para efeito de comparação, a tecnologia 2,5G EDGE conta com taxa de transferência 15 vezes menor do que o mínimo que é oferecido pelo padrão de terceira geração UMTS, que é de 1 Mbps (um megabit por segundo). Para se ter uma idéia, as conexões de banda larga cabeadas, embora ofereçam taxas teóricas bem maiores, na prática, são bem mais lentas, variando de de 200 Kbps a até 400 Kbps (kilobits por segundo). Em um teste feito no lançamento da rede 3G da Claro, verificou-se uma generosa taxa de 787 Kbps, velocidade mais que suficiente para acessar um vídeo de 10 min no site YouTube em menos de 7 s.
Os lançamentos de telefones 3G têm sido realizados com freqüência por quase todas as fabricantes, as quais apostam na diversidade de modelos, que vão desde os mais baratos (como o Nokia 6120) até os mais sofisticados (como o Sony Ericsson K850 Cyber-shot). Além disso, também estão sendo oferecidos os chamados modems 3G, dispositivos – que também contam com entrada para o SIM card – feitos para serem conectados direto a um computador, seja de mesa ou portátil, por meio da porta USB ou por entradas do tipo PCI. Com isso, o consumidor pode escolher qual a melhor forma para entrar nessa nova era das comunicações: seja por meio do telefone ou mesmo pelo PC.
E não demora muito para que uma série de novos serviços cheguem até o consumidor doméstico ou corporativo. Um dos mais interessantes é o de localização de usuários para o envio coletivo de mensagens de texto. Muito popular na Europa, ele basicamente funciona assim: o usuário pede para sua operadora localizar seus amigos que estiverem próximos ou em alguma região específica. Isso feito, ele poderá enviar uma mensagem SMS, MMS (multimídia) ou até mesmo criar uma vídeoconferência para convidá-los para um happy hour, por exemplo. Já na Ásia, uma das coqueluches entre os jovens usuários (um dos principais públicos-alvo das operadoras quando se trata de serviços 3G, além dos empresários) é o envio de videokê por celular. Uma vez solicitado o streaming de um clipe legendado, o usuário poderá promover um concurso de videokê onde quer que ele esteja. Apesar de ser bem mais simples que os exemplos citados, o “Ring Back Vídeo” ou “Ring Back Tone” é um serviço que promete ser bem útil e divertido ao mesmo tempo. Basicamente, é uma maneira de uma empresa ou usuário doméstico personalizar o recebimento de chamadas. Ao invés de a pessoa que está ligando ouvir o velho tom de chamada, poderá receber uma mensagem sonora diferente (como “aguarde um momento, já vou atender”, por exemplo) ou até mesmo um vídeo de apresentação. E estes são apenas alguns exemplos, até um tanto prosaicos, do que é possível fazer com uma conexão de banda larga no bolso. Há ainda muitas novidades a caminho.
Embora os números ainda não tenham confirmado uma grande adesão por parte do consumidor à rede 3G, algo normal quando se trata de um produto tão novo, o discurso das operadoras tem sido pontuado pelo otimismo. Em certos momentos, até um pouco exagerado.
“Vamos trazer competição ao mercado de banda larga”, disse um animadíssimo João Cox, presidente da Claro, no dia que lançou a rede 3G da companhia, a segunda a aderir ao novo padrão (a primeira foi a mineira Telemig, poucos meses antes). O executivo ainda completou sua empolgada declaração com as seguintes “pérolas”: “a alta capacidade de transferência de dados dos novos aparelhos os tornarão instrumentos de inclusão digital”; “em 2008, serão produzidos mais aparelhos 3G do que convencionais. E até 2012, a taxa de transferência desses dispositivos vai variar de 12 Mbps (megabits por segundo) a 80 Mbps”.
É claro que a obrigação de um executivo em um momento importante como esse é dar um recado claro (com perdão do trocadilho) ao mercado que a companhia não só acredita como aposta pesado em seu produto. Mas é preciso ter um pouco de cautela. Mesmo que boa parte do que foi dito realmente vá acontecer, a questão é saber QUANDO tudo isso se concretizará de fato. Ainda mais que ainda não há uma concorrência efetiva nesse mercado praticamente dominado por pouquíssimas empresas. Isso poderá ser resolvido depois que as bandas de freqüência de 1,8 GHz e de 2,1 GHz forem leiloadas, o que permitirá a entrada de mais concorrentes – sedentos por novos clientes.
Enquanto isso não acontece, o papel que as revendas e operadoras exercerão nesse momento será fundamental para que as profecias de Cox se tornem realidade no prazo esperado. Afinal, ainda vivemos no “país dos pré-pagos”, ou seja, de aparelhos que apenas fazem ligações. E olhe lá. Para se ter uma idéia, 80% dos celulares brasileiros são desse tipo. É por isso que será preciso muita criatividade (na criação de ações de marketing e de novos planos de voz e dados, por exemplo) e empenho (na oferta de aparelhos cada vez mais baratos) para convencer o usuário que ter um telefone que só serve para se falar e, no máximo, enviar mensagens curtas de texto, não tem apenas a menor graça mas também é desvantajoso economicamente.
Outro entrave que impede o avanço da rede 3G, ironicamente, está presente nas próprias operadoras. É que 90% do faturamento dessas empresas ainda se concentra em serviços de voz, os quais não dependem de qualquer investimento em infra-estrutura para se manterem ativos. Se você fosse um dos sócios dessas companhias, teria um tremendo desafio à sua frente: convencer seus demais colegas a não só investir milhões em uma nova tecnologia que, até que se prove o contrário, não dá qualquer garantia que vá dar certo, mas também abrir mão do que já foi gasto na rede instalada. De acordo com especialistas, elas necessariamente terão deixar de lado a estrutura 2,5 G que possuem e que consumiu milhões para investir ainda mais na nova rede, sem a qual não será possível criar um ambiente que reúna as centenas de serviços que a tecnologia 3G pode oferecer.

SEU PRÓXIMO PC SERÁ PORTÁTIL?
Depois dos iPhones, das câmeras digitais e das heroínas de videogames (não necessariamente nessa ordem), os notebooks talvez sejam os equipamentos mais desejados do mundo da computação pessoal e não somente por serem sexy. Eles também são práticos, disponíveis e bastante úteis graças à capacidade de levar seu trabalho e, por que não, sua vida (digital) para aonde quer que você vá.
Mas diferente de uma roupa bem cortada ou de um carro último tipo, ostentar um notebook já é coisa do passado. Se os preços desse tipo de equipamento ainda não se equiparam ao de um desktop de entrada, pelo menos eles deixaram de ser obscenamente altos, tornando-se algo até dentro das possibilidades de qualquer pessoa mais determinada.
Isso ocorreu graças a uma soma de fatores, como a queda da cotação do dólar e a “MP do Bem”, que reduziu os impostos para portáteis abaixo de 4 mil reais. A partir daí, começamos a ver uma explosão desse mercado nos últimos anos.
Só para se ter idéia de valores, em 2002, um IBM ThinkPad T30 era vendido por quase 14 mil reais. Hoje, seu atual substituto, o modelo T61, pode ser encontrado por menos de 3,1 mil reais. E isso sem falar dos chamados modelos de entrada, cujos preços mais em conta ficam na faixa de 1,4 mil (para menos) e todos parcelados em 10x, 12x sem juros no cartão.
Assim, os portáteis começaram a atender públicos antes impensáveis, como estudantes de nível médio e universitário, profissionais liberais e pequenos negócios e até mesmo adolescentes que trocaram a TV por um computador no quarto.
Segundo pesquisas do Gartner Group, o mercado global de portáteis cresceu perto de 33% em 2007, com previsão de chegar a 25% este ano. Um fabricante estima que a venda de notebooks no Brasil fique em torno de 2,8 milhões de unidades neste ano, com tendência desses números serem maiores, se Deus e a economia ajudarem.
E todos esses fatos servem para comprovar uma das teorias econômicas mais singulares do mundo da tecnologia: a de que os produtos de TI tornam-se cada vez melhores e mais baratos e que o custo deles cai proporcionalmente a cada ano.
Com isso, quero afirmar que notebook não é investimento, muito menos patrimônio e todo o retorno que ele pode proporcionar está na forma de trabalho realizado ou mesmo satisfação pessoal. Sob esse ponto de vista, o mercado de portáteis é pior que o de carros usados.
Isso ocorre porque, a cada ano, as empresas renovam suas linhas de produtos pelo menos uma ou duas vezes. E mudanças ainda mais radicais estão ocorrendo pelo menos a cada dois anos.
Quem puxa esse trem da mudança são empresas como a AMD e a Intel. Depois de unificar sua plataforma de PCs, servidores e portáteis com a chegada da microarquitetura Core, a Intel impôs para si mesma um ritmo de desenvolvimento que promete a implementação de um novo processo de fabricação nos anos ímpares e uma nova microarquitetura nos anos pares, num processo que eles chamam de “Tick-Tock”, como num pêndulo de relógio.
Desse modo, 2006 foi o ano da chegada da segunda geração da plataforma Centrino Duo (codinome Santa Rosa). E, em junho de 2008, devem chegar os primeiros modelos baseados na plataforma Montevina, que será conhecida apenas como Centrino 2. As melhorias da nova plataforma estarão principalmente no suporte de vídeo Full HD e leitores de discos Blu-ray e HD DVD. O Centrino 2 virá bem na época em que a Microsoft passará a exigir suporte ao DirectX 10 para certificar um computador com seu selo “Windows Vista Premium”, algo que não acontece nos dias de hoje.
Essa informação é particularmente interessante tanto para o usuário final quanto para as revendas, pois ela tenta colocar uma certa ordem na casa. Desde a introdução do Windows Vista, há mais de um ano, ele ainda sofre para rodar em algumas configurações. Esse fato tem prejudicado em muito tanto a Microsoft, por aparentemente colocar no mercado um produto meio capenga, quanto os fabricantes de hardware, por tentarem vender um produto “Compatível com Vista” quando, em certos casos, significa que ele apenas é capaz de rodar o sistema operacional. Agora, trabalhar com ele é uma outra boa história.
Esse cenário anda tão enrolado que algumas empresas até oferecem a opção de “downgrade” para Windows XP, nas suas máquinas novas com Vista, e a Microsoft já promete um novo SO para os próximos dois anos (codinome Windows 7, guardem esse nome).
Com isso, surge a grande pergunta: o que comprar então?
O duro é que não existe uma resposta exata, já que cada vez mais os portáteis assumem novas formas e características para se ajustar melhor ao perfil de seu público-alvo e não o contrário. Por exemplo:
Aquele que está adquirindo seu primeiro portátil, normalmente já tem alguma experiência de uso com modelos de mesa, e procura por algo que possa ser carregado de um lado para o outro ou que, pelo menos, ocupe menos espaço nas casas e apartamentos (que ficam cada vez menores e mais “otimizados” a cada ano). Esse consumidor, em geral, não está muito preocupado com as dimensões e o peso do produto e o preço é um fator muito importante a ser considerado. Para esse público existem os chamados modelos de entrada, equipados com processadores de apenas um núcleo de processamento (como o Celeron-M e o Sempron), grandes telas wide de 14 e até 15 polegadas, pelo menos 512 MB de memória RAM, leitor e até gravador de DVD, baterias de tempo modesto e peso na faixa de 2 a 3 quilos. Os preços costumam ficar entre 1,4 a 2 mil reais, financiados a perder de vista. Para reduzir ainda mais os custos, alguns fabricantes optam por oferecer alguns de seus modelos de entrada com Linux pré-instalado.
Essa categoria de produto também se encaixa no chamado “desktop replacement”, que, como o próprio nome diz, assume o papel de desktop em casas e escritórios e trabalha a maioria do tempo ligado na tomada.
Mas com o tempo, os donos desse tipo de produto começam a apreciar os recursos de mobilidade e acesso a redes sem fio de seus novos computadores. Também começam a perceber que o desempenho e a durabilidade da bateria poderia ser melhor. E, por fim, admitem que andar por aí o dia inteiro com um portátil de 2 a 3 quilos pode pesar nas costas ao final do dia de trabalho.
Com isso, os chamados modelos de linha são, normalmente, o segundo portátil da vida do consumidor. Neste caso, ele não se importa em pagar um pouco mais por melhores recursos de desempenho e mobilidade.
Esses modelos são normalmente equipados com processadores de dois núcleos (dual-core), como o Athlon 64/Turion x2 da AMD, ou o Pentium Dual-Core/Core 2 Duo da Intel. A quantidade de memória varia de 512 a 1.024 MB, gravador de DVD é quase padrão e, graças ao maior nível de miniaturização de seus componentes, eles costumam ter melhor autonomia de bateria, serem mais leves e finos (menos de 2 quilos), mas costumam manter as telas de 14 ou 15 polegadas wide por questão de conforto visual. O preço varia de 3 a 5 mil reais.
Esse modelo é mais popular entre os profissionais liberais (como técnicos e engenheiros), que concentram todas as suas atividades no portátil, entusiastas e usuários corporativos. Esse último filão de público conta até com uma plataforma especificamente criada para ele: o chamado Centrino Pro. Ela incorpora recursos interessantes de segurança e gerenciamento remoto e soa como música no ouvido de gerentes de sistemas que necessitam dar suporte para centenas e até milhares de equipamentos, que nem precisam estar necessariamente no mesmo endereço físico (se não estão em movimento).
A partir desse ponto, começamos a entrar num segmento de especialização que se espalha para todas as direções em termos de recursos, dimensões, peso e valor e que, de um modo ou de outro, abrem mão de uma característica em favor de outra.
Por exemplo, de um lado temos as chamadas workstations portáteis, que, como os desktop replacements, são portáteis mais voltados para desempenho. Elas podem vir com generosas telas de até 17 polegadas e alguns modelos vêm até com controle remoto, para que o usuário possa usá-lo ao assistir a filmes em DVD.
Do outro lado vemos os chamados ultraportáteis, que abrem mão de desempenho, telas grandes e até de alguns componentes internos (como o leitor de CD/DVD) em favor do máximo em termos de portabilidade (peso ao redor de 1,5 quilo ou menos) e de autonomia de bateria (alguns passam de 8 horas).
Por causa disso, eles são considerados os esportivos compactos das empresas. Ou seja, são ótimos para viajar sozinho ou com uma acompanhante, mas não necessariamente a melhor solução para levar toda a família (incluindo bagagem e a tralha de praia) para um fim de semana à beira-mar. Como nos carros esporte, os preços não costumam ser dos mais atrativos (na faixa dos 5 mil reais).
E no meio desse segmento ainda vemos novas iniciativas, como os chamados Netbooks, portáteis de baixo custo e com os recursos essenciais para navegar na Web, trocar mensagens e reproduzir mídias. O exemplo mais célebre dessa categoria é o Eee PC da ASUS (que pode ser encontrado no País na faixa dos mil reais). Originalmente criado para o mercado de educação, o Eee PC provou que existe a demanda para um produto simples e acessível, que funcionaria como uma companhia e/ou extensão do computador de casa ou como o primeiro computador de uma criança até os 12 anos de idade.
Também surge no mercado uma nova categoria de produtos que combina as facilidades dos ultraportáteis com o conforto de uso e o desempenho dos modelos de linha. O resultado é um portátil de tamanho intermediário cujo principal elemento em comum é o uso da tela de 13,3 polegadas wide, como é o caso do MacBook Air, do ThinkPad X300 e do Dell Inspiron XPS 1330.
A preferência por notebooks coloridos também começa a ganhar espaço no mercado. Hoje já é possível, por exemplo, comprar um notebook com acabamento em verde, azul, amarelo, pink e até com grafismos tradicionais, modernos e esportivos!
Com o anúncio da nova plataforma Atom da Intel, podemos esperar padrões de formatos ainda menores, mais especializados e com novas aplicações específicas para esse segmento de hardware que promete levar a experiência de uso da Internet para o bolso das pessoas. Esse conceito de mobilidade pode dar início a um novo estilo de vida digital e tudo isso já nos próximos anos.
Quem viver verá.